Vegetação nativa da Mata Atlântica voltou a crescer

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Vegetação nativa da Mata Atlântica voltou a crescer

O que é a Mata Atlântica

A Mata Atlântica é o terceiro maior bioma brasileiro e um dos hotspots mundiais de biodiversidade, ou seja, um dos locais mais ricos em espécies e, ao mesmo tempo, mais ameaçados do planeta. Originalmente, cobria cerca de 1,3 milhão de km², o equivalente a cerca de 15% do território nacional, estendendo-se do litoral do Nordeste ao Rio Grande do Sul e avançando pelo interior até o leste do Paraguai e o nordeste da Argentina. No Brasil, ocupava integral ou parcialmente 17 estados, do Piauí ao Rio Grande do Sul, e é o bioma onde vive a maior parte da população brasileira, o que ajuda a explicar por que é também o mais degradado do país.

Reúne ecossistemas variados, como florestas densas, matas de araucária, restingas e manguezais, e abriga espécies emblemáticas como o mico-leão-dourado. Hoje restam entre 12% e 27% da cobertura original, a depender do critério usado, e apenas cerca de 7% do que sobrou está bem conservado. Entre as unidades de conservação mais conhecidas do bioma estão os parques nacionais da Serra dos Órgãos e de Itatiaia, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, o Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, e o Parque Nacional de Ubajara, no Ceará. Ao todo, 24 dos parques nacionais brasileiros estão na Mata Atlântica, mais do que em qualquer outro bioma.

O que o novo estudo mostra

Um em cada quatro hectares de vegetação nativa hoje existente no bioma é vegetação secundária, ou seja, floresta que voltou a crescer depois de ter sido desmatada. Os dados fazem parte da Coleção 11 do MapBiomas e foram divulgados em 21 de setembro, Dia da Árvore. O levantamento acompanha as mudanças no uso da terra entre 1985 e 2025.

Em quatro décadas, o bioma perdeu 9,7 milhões de hectares de vegetação madura, mas mais de 8 milhões de hectares de mata secundária se estabeleceram em áreas antes desmatadas. Isso mostra que a natureza consegue se recuperar quando encontra condições para isso.

A pressão continua

O saldo, porém, ainda é negativo: desde 1985 o bioma perdeu 5 milhões de hectares de vegetação nativa, uma redução de 12%, e em 2025 a cobertura nativa era de apenas 32%, contra 63% ocupados pela agropecuária. Além disso, entre 2021 e 2025 foram perdidos 1,2 milhão de hectares, dos quais 700 mil (60%) eram de mata secundária. Ou seja, a floresta jovem é a que mais está sendo derrubada. Há um ponto positivo: a perda de vegetação mantém tendência de redução, com a área suprimida abaixo de 2 milhões de hectares a cada cinco anos desde os anos 2000.

Por que importa

Segundo a pesquisadora do MapBiomas Natalia Crusco, a regeneração é fundamental para recuperar o bioma, mas é preciso evitar novas perdas, tanto da mata madura quanto da secundária, em um bioma tão fragmentado. A agropecuária é apontada como principal causa da supressão.

Plantar, proteger e deixar regenerar: o dia a dia de quem cuida da natureza também passa por aí.

Fonte: CNN Brasil, com dados da Coleção 11 do MapBiomas (21/09/2026).

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